EDIFÍCIO GÁVEA

Desenvolvido para um lote em uma movimentada rua no bairro da Gávea, zona sul carioca, este edifício acomoda cinco pavimentos (térreo, três pisos e cobertura) e um subsolo, através de um volume predominantemente horizontal com 15 metros de largura por 30 metros de profundidade, cercado por edifícios vizinhos altos.

Para melhor atender o programa e concentrar o maior número de apartamentos no projeto de baixo gabarito, optou-se pela disposição do primeiro apartamento já no pavimento térreo, enquanto quatro apartamentos-tipo são dispostos no primeiro e segundo pavimento, e dois apartamentos duplex ocupam o terceiro piso e cobertura, totalizando sete unidades habitacionais.

A ocupação quase que total do terreno e inexistência de recuos laterais, trouxe o desafio em como assegurar iluminação e ventilação natural adequada ao interior de todos os apartamentos, solucionado através de dois pátios: o primeiro deles na zona central da lateral esquerda e o segundo aos fundos do lote, que cumpre o papel de varanda da primeira unidade.

O núcleo de circulação vertical, equipado com caixa de escada e dois elevadores, é previsto no volume de maneira que cada apartamento (dos dois primeiros pisos) é organizado em um espaço quadrado de 15×15 metros, espelhados dos dois lados, com exceção da unidade do térreo que conta com uma suíte de serviço. Cada célula habitacional é constituída por sala de estar e jantar, cozinha e área de serviço integradas, e três suítes que se abrem para a varanda e pátio.

Na fachada, o piso das varandas com 2,5 metros de profundidade em estrutura metálica tornam-se beirais aos pavimentos inferiores e o fechamento das extremidades inclina-se diagonalmente, criando certa identidade gráfica ao edifício. Estes planos inclinados por sua vez, comportam um sistema de cortinas translúcidas, que podem ser fechadas ou abertas, de acordo com o nível de privacidade e proteção solar requerida. No interior, piso e forro recebem acabamento em réguas de madeira, enquanto o exterior é recoberto por chapas metálicas com pintura cinza grafite que destacam o zigue-zague.

CASA PIPA

A Casa Pipa foi desenvolvida como um protótipo pela Bernardes Arquitetura, em parceria com a construtora Laer Engenharia e um casal de empresários, que queriam um produto que poderia ser replicado e vendido em módulos para outros clientes, gerando uma experiência de obra rápida, com garantia de prazos, eficiência energética e controle tecnológico.

A residência foi projetada visando eficiência construtiva, através de um sistema industrializado que permitiu sua rápida execução e baixíssima produção de resíduos. Seu sistema estrutural em madeira laminada colada de eucalipto torna a casa adaptável ao terreno, permitindo sua reprodução em diversos tipos de declividade, ao mesmo tempo em que proporciona grande diversidade compositiva e a possibilidade de diferentes acabamentos. O sistema de caixilharia, também em madeira laminada colada, garante estabilidade aos perfis estruturais.

A casa elevada do solo garante estanqueidade e ventilação para a laje de piso, assim como visitação às instalações que passam pelo piso. O forro, com sistema de encaixe, permite ajustes e visitação a sistemas aéreos. A casa possui sistemas individualizados de aquecimento e instalações de ar condicionado e elétrica divididos por módulos, simplificando sua manutenção e funcionamento. O fechamento em painéis pré-moldados em concreto, com sistema de aplicação tipo fachada ventilada, garantem boa reposta térmica e manutenção zero, devido à não necessidade de retoque de pintura. A casa como um todo foi projetada visando bom isolamento térmico e baixa e fácil manutenção. A equipe desenvolveu um produto com materiais de alta qualidade e tecnologia ecologicamente correta, unindo baixo custo com design contemporâneo.

ADEGA SANTIAGO RIO

A Adega Santiago, que já contava com três unidades na capital paulista, abriu sua primeira unidade carioca no antigo espaço de eventos de um shopping na Barra da Tijuca. O novo restaurante, que ganhou uma localização privilegiada que se abre à paisagem da Lagoa da Tijuca, teve como desafio principal converter um espaço de grande escala em um ambiente mais intimista. Sua organização espacial privilegia a conexão visual do salão com a lagoa, enquanto suas áreas operacionais concentram-se junto ao acesso de cargas e serviços do shopping e às paredes cegas originais do ambiente. A ligação do restaurante com a vista da lagoa se dá também através do projeto de interiores e de mobiliário, que reforçam esta relação através do desenho de cabines mais acolhedores e de uma distribuição espacial que a enfatiza.

Os materiais de acabamento, que aliam piso, painéis e mobiliário em madeiras escuras (respectivamente, cumaru, freijó e peroba rosa) a revestimentos em couro, foram aplicados em desenhos mais contemporâneos que se inspiram na ambiência intimista já adotada em outras unidades. O fechamento do restaurante se dá através de painéis treliçados pivotantes que flexibilizam a operação do restaurante. Estes podem tanto restringir o uso do salão fora dos horários de pico ou para eventos privados, quanto permitir a expansão do mesmo a áreas próximas da varanda do shopping que se debruça sobre a lagoa. A iluminação do restaurante se dá através de grandes pendentes circulares (com dois a três metros de diâmetro), levemente espaçados, que eliminam o impacto do grande pé direito original. À noite, estes pendentes criam um efeito visual de grandes discos iluminados que parecem flutuar sobre o salão.

HOTEL ARPOADOR

O projeto para a renovação do Hotel Arpoador vai além da ideia de um hotel aconchegante, criando um espaço convidativo, onde interior e exterior são mesclados. Seu lobby é integrado ao bar através de um pátio banhado por luz natural, uma linha contínua que une as ruas Francisco Otaviano e Francisco Bhering. A fachada é composta por um grande painel de madeira solto da estrutura, que enquadra as vistas para quem vê de dentro e cria uma ordem sutil para o edifício. O clima praiano permeia toda a escolha dos materiais usados no projeto, desde o piso em madeira (alusão a um deque de barco) até a palha, fibras, linho e algodão utilizados nos espaços internos. No último andar, o terraço traz uma piscina triangular com vista para o mar. Já no lado com vista para a cidade, um espaço dedicado a wellness com sauna, sala para massagem, e outra para exercícios. O Arpoador apresenta 49 quartos.

Todos os móveis e tecidos foram desenvolvidos a partir do conceito de obra de arte total, que pressupõe uma integração entre várias formas de expressão artística. As marcenarias foram desenhadas especialmente para cada espaço do hotel, dos quartos às suas áreas comuns. Em alusão à arquitetura náutica, o mobiliário dos quartos é feito de peças que se encaixam entre si, possibilitando diferentes usos. Tanto os tecidos dos interiores quanto os uniformes da equipe tiveram suas cores inspiradas pelos tons do mar do Arpoador, tendo sido desenvolvidos exclusivamente pela Bernardes Arquitetura para o projeto.

CASA ABK

A casa original, projetada pelo arquiteto modernista Sergio Bernardes em 1960, foi encontrada em estado precário. Como muitos de seus trabalhos, a casa foi originalmente projetada para permitir que a maior parte de seus sistemas de controle ambiental seja feita passivamente usando colchões de ar entre as superfícies do telhado e do teto, brises móveis, entre outros. No entanto, grande parte de suas características espaciais e materiais originais foram removidas em função de substituições descuidadas ou adição de certos elementos.

A renovação visou recuperar as características originais da casa enquanto atualizava seus espaços, infraestrutura e desempenho energético. As áreas íntimas da casa também foram ampliadas para acomodar as necessidades dos novos moradores. Todos os elementos de madeira, desde a escadaria de acesso aos brise-soleils, bem como seus componentes mecânicos, foram restaurados ao seu estado original e tornaram-se totalmente funcionais novamente.

A estrutura e o fechamento da casa são rigorosamente modulados e construídos com componentes de concreto pré-fabricados, alguns dos quais foram severamente danificados. O teto, por exemplo, era composto por calhas de concreto que serviam de estrutura e elementos impermeabilizantes, apresentando numerosos pontos de vazamento e altas taxas de transmissão térmica. Para atualizá-lo e obter melhores índices de isolamento térmico, foi substituído por uma placa isolante de concreto separada do teto, recriando o espaço ventilado original entre elas. A estrutura de pé-direito duplo do telhado da varanda também havia sido coberta com lajes de concreto, que foram substituídas por toldos retráteis e translúcidos que permitem que a área fique totalmente ao ar livre e deixe a luz solar atingir o interior da casa com mais intensidade. A piscina foi devolvida à sua localização original ao longo da parede de pedra do local e agora integra a varanda. A infraestrutura de climatização e instalações elétricas e hidráulicas da casa foi totalmente substituída por novos equipamentos que reduzem o consumo de energia e água.

A área total construída da casa (após a renovação) é de 560 m². Sua estrutura de concreto original, originalmente coberta de madeira, agora é coberta com pintura cinza isostática em folhas de alumínio. Componentes especiais de madeira e mecânicos do projeto original (brises-soleils e escadas de serviço) foram totalmente restaurados. Todo o piso das áreas sociais da casa é feito de granito cinza local, que se estende do interior para todas as áreas ao ar livre e piscina. As áreas íntimas (quartos) são cobertas com pedaços de 0,15x2m de madeira cumaru. O telhado de concreto existente, feito de painéis de concreto pré-fabricados, foi substituído por um telhado isolamento termoacústico para melhorar a impermeabilização e o desempenho térmico. Seu sistema de climatização articula as unidades split e convencional, respectivamente, para as áreas social e dormitório.

 

CASA ASA

Situada no topo de uma montanha onde havia uma propriedade preexistente, a Casa Asa reconstruiu inteiramente a relação entre terreno e edifício. A casa cria uma relação “harmoniosamente contrastante” entre paisagem e arquitetura através da articulação de espaços parcialmente subterrâneos e volumes transparentes emergentes. A topografia do local foi projetada para maximizar o uso de superfícies semi-planas existentes como áreas de convivência ao ar livre, ao mesmo tempo em que se encaixam os principais elementos funcionais, de circulação e de estabilização do solo entre as paredes de retenção. Todo o acesso à casa – de visitantes a funcionários – é feito através deste “embasamento topográfico”, que lentamente revela a paisagem circundante através de passagens sinuosas adaptadas à topografia original.

A distribuição de todas as áreas técnicas e de serviços também é feita através do embasamento, incluindo HVAC, estacionamento, lavanderia, entre outros, o que permite que todos os sistemas sejam controlados centralmente e constantemente monitorados quanto à eficiência. Ele também acomoda algumas comodidades ligadas a atividades ao ar livre, como academia e sauna. As principais áreas sociais e de estar da casa ficam no topo deste pedestal, em um volume feito de vidro e granito, que se assemelha a um pavilhão, visto do jardim. Seu teto fino e curvo (a “asa”) se estende muito além de seus limites, fornecendo proteção ambiental importante para as áreas de estar e jantar. Seus grandes painéis de vidro deslizam inteiramente dentro das paredes que cobrem o volume sob a “asa”, permitindo que os espaços internos sejam completamente abertos para o exterior e se tornem uma ampla varanda.

Os painéis de vidro são equipados com películas automatizadas que rolam para baixo para controlar a luz natural e a temperatura. As paredes de madeira que cobrem cada borda deste volume incluem mais espaços privados, um home office e uma cozinha. A seção privada da casa, onde os quartos e suítes estão localizados, está alojada em um volume de granito perpendicular à “asa”. Sua fachada de granito e janelas menores proporcionam uma vista mais íntima para o jardim, protegendo a privacidade dos quartos. Uma unidade separada que se conecta à casa principal através do jardim foi projetada para ser um anexo de hóspedes e uma área de jantar coberta, equipada com uma pequena cozinha e uma churrasqueira.

A casa tem uma área total construída de 3000 m². As paredes externas do embasamento foram construídas com concreto pigmentado. O volume superior é feito com estrutura de aço galvanizado com revestimento de drywall coberto com madeira “freijó” e “cumaru”, árvores nativas do Brasil. O teto curvo é composto por mesa de aço e lajes de concreto com impermeabilização feita sobre filme termomoldado. O revestimento interior é feito com peças “cumaru” de 0,3x3m, enquanto as áreas exteriores são revestidas em basaltite. As áreas sociais da casa são cercadas por grandes painéis deslizantes feitos de vidro laminado de 18 mm em perfis de alumínio minimalistas. Todas as infraestruturas de HVAC e instalações elétricas e mecânicas são monitoradas centralmente quanto ao desempenho e são distribuídas por toda a periferia do embasamento de concreto, permitindo fácil acesso à manutenção, escondido de residentes e visitantes. Os jardins foram projetados com o uso de plantas nativas típicas da Mata Atlântica. O anexo de hóspedes e áreas privadas são cobertos com placas de granito sobre estrutura metálica.

A Casa Asa estabelece uma relação única com o terreno, que impulsiona sua beleza sublime e delicada. Sistemas técnicos e estruturais velados permitem que a casa expresse sua delicada transparência e conexão com a natureza com o mínimo de interferência, enquanto suas instalações aplicam as tecnologias mais atualizadas e eficientes em termos de energia. A casa é um exemplo único da interação entre um conceito espacial altamente abstrato com sistemas infraestruturais complexos.