APT NS

Com planta original segmentada, o projeto para a reforma deste apartamento de 400 metros quadrados na capital paulista uniu os ambientes e integrou toda a área social. Buscando criar uma unidade visual, a parede principal do living foi integralmente revestida em painéis de madeira, que através de portas mimetizadas – de abrir e pivotante – de piso a forro, dão acesso à sala de TV, cozinha, lavabo e área íntima. Nas paredes com janelas, a marcenaria em L é um elemento importante, responsável por abrigar espaço para livros e exposição de peças de arte do cliente, unindo estar e jantar e também servindo de apoio para ambos os espaços.

Neste projeto, a paleta de materiais foi escolhida levando em consideração os conceitos de aconchego e contemporaneidade, e também buscando criar um embasamento neutro para que as peças de arte e mobiliário assumissem o protagonismo. O piso de todo o apartamento é em mármore e a madeira usada nos painéis e marcenarias é o Freijó natural, que ao contrastar com o piso, aquece e dá conforto. No lavabo, o material do piso é reinterpretado ao ser esculpido em uma cuba linear com desenho em calha, fixada apenas sobre as paredes laterais, parecendo flutuar.

As peças de mobiliário foram escolhidas junto ao cliente, unindo o design moderno nacional e internacional a partir de uma estética contemporânea. No estar, destacam-se o Sofá MP081 de Percival Lafer, as poltronas Cloud da Diesel, e banco Tariki de Jacqueline Terpins. Enquanto isso, na sala de TV, que também cumpre o papel de biblioteca, a poltrona Jangada de Jean Gillon junto a Chaise Longue de Charles e Ray Eames. Os estofados recebem couro, linho e veludo em tons marrom e cinza, em harmonia a paleta das superfícies dos espaços.

Para criar um ambiente intimista, o hall foi revestido por folhas de madeira e no projeto de iluminação desenvolvido em parceria com o Estúdio Carlos Fortes, foi aplicado uma lona tensionada que somado as lâmpadas na área superior produz iluminação indireta pela translucidez.

CASA PENÍNSULA

A casa está situada sobre um terreno de declive acentuado. A estratégia adotada para que o entorno e a topografia sofressem o mínimo de alteração foi criar uma plataforma com a maior área possível, para criar sobre ela um ‘terreno” onde os demais pavimentos se estruturariam. Os 850 m² estão divididos entre três pavimentos: um embasamento retangular, o nível intermediário mais vazado e o volume triangular suspenso.

O projeto de interiores foi pensado para ser tão puro e simples como as formas da arquitetura. Foi selecionado mobiliário de célebres designers brasileiros, na sua maioria produzido em madeira, para compor os ambientes junto ao mobiliário desenhado especialmente para a casa. Foram utilizados poucos materiais para criar uma atmosfera tranquila e aconchegante, dentre eles, a madeira brasileira freijó, que é um dos materiais de maior destaque, utilizada nos forros, painéis e marcenarias.

O acesso principal se dá pelo pavimento térreo do embasamento, onde estão o home-theater e as quatro suítes de hóspedes, a área mais íntima da residência.

Já o primeiro pavimento é o espaço de uso social e de lazer, com sala, copa, varanda e piscina. O espaço interno integra-se de forma fluida ao exterior, graças às esquadrias de vidro e à continuidade da pedra utilizada no piso. Esse pavimento foi pensado de forma que pudesse se estabelecer como um vazio entre o embasamento e o volume triangular do segundo pavimento, uma grande varanda que funciona como ponto de encontro para toda a família.

O segundo pavimento possui planta triangular decorrente do estudo de insolação. A diagonal foi traçada no sentido norte-sul, de forma que a fachada esteja direcionada para leste. Nesse nível estão a suíte master e a suíte do filho. Além disso, esses ambientes são privilegiados com a melhor vista do mar. O cobre foi escolhido para a fachada por ser um material que reagirá bem à passagem do tempo. Esse volume suspenso possui uma das arestas em um grande balanço de nove metros em direção ao mar, fazendo-nos lembrar, por vezes, uma grande barco.

ATELIÊ LUIZ

Situado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, o projeto de reforma deste imóvel de dois pavimentos foi realizado para abrigar o ateliê de um artista multimídia no térreo e seu apartamento no primeiro piso. O processo, por sua vez, ocorreu em parceria com o cliente, tendo a arquitetura original como tela em branco às intervenções artísticas. Nesse sentido, as fachadas receberam uma grelha a partir da sobreposição de ripas de madeira presas diretamente a alvenaria, que foram pintadas numa rica paleta de cores pelo artista, que também cumpre o papel de brise soleil e no futuro, estrutura de apoio ao crescimento da vegetação.

O projeto manteve os recuos laterais originais do sobrado, e o acesso ao ateliê é realizado pela lateral sul, com aproximadamente dois metros de largura, e adequada ao fluxo de entrada e saída de materiais e obras de arte. Na lateral oposta, com um metro de largura, há o acesso direto ao apartamento através de uma escada. Aos fundos, um deque e jardim com espécies tropicais desenvolvido em parceria com a Semear Paisagismo e Jardinagem.

Todo o interior foi remodelado a partir da subtração de planos verticais que permitiram a planta livre do salão principal de pé direito duplo. A planta do ateliê é fragmentada com desenho em C, de modo que o núcleo central acomoda o escritório do artista, fechado por portas pivotantes coloridas nas duas laterais, com acesso às duas alas de criação (área seca frontal e ateliê ao fundo), que podem ou não ser integradas. Este último espaço é aberto ao jardim e provido de iluminação natural abundante, vinda das grandes portas de vidro e claraboia. No espaço de circulação entre as duas áreas, estão o banheiro, depósito e caixa de escada. A copa é integrada ao atelier e tem uma bancada de concreto lateral.

No pavimento superior, o apartamento conta com um espaço integrado com sala de estar, jantar e cozinha, aberto para o vazio do pé-direito duplo e que pode ser fechado por três folhas de vidro; e dois quartos – um de solteiro sobre a projeção do escritório, e a suíte master com frente para a rua. Toda a residência recebe piso de madeira em padrão espinha de peixe, bancadas de concreto e marcenaria em madeira de tom claro (estes dois últimos, como no piso inferior).

No terraço, o espaço na altura da copa das árvores, é acessado por um alçapão de vidro – responsável pela iluminação zenital da escada – usado como espaço de lazer.

GURUMÊ TIJUCA

Esta é a uma das lojas do restaurante Gurumê, especializado na culinária japonesa. O nome é uma variação despojada da palavra “gourmet” e sugere um ambiente de sofisticação e simplicidade. O projeto busca traduzir o conceito do empreendimento.

O salão possui duas mesas coletivas com desenho sinuoso que estimula a interação entre as pessoas. Na lateral, um túnel de madeira, tem caráter mais intimista, com mesas de dois ou quatro lugares. O túnel é estruturado através de uma sucessão de pórticos que definem sua geometria, e é revestido por ripas de madeira cumaru. Ao fundo está localizado o sushi bar, com bancada em corian, de onde se pode observar a preparação dos pratos.

Os principais materiais de revestimento – o cobre oxidado e a madeira – foram escolhidos devido à inspiração no universo da pesca e na ação do tempo nos materiais utilizados em barcos e navios. Os ladrilhos hidráulicos utilizados no piso são feitos artesanalmente e garantem a neutralidade necessária para que os tons de madeira e os tons esverdeados do cobre sejam destacados.

CASA POA

A Casa POA desenvolve-se em três níveis escalonados interligados por uma grande escada em madeira que se apoia sobre o perfil natural do terreno. O nível de acesso abriga o escritório e sala de ginástica localizados ao fundo do terreno, além das dependências de serviço e garagem. O pavimento intermediário abriga o setor social (sala de estar, cozinha, jardim, piscina) e duas suítes. O pavimento superior abriga a suíte master.

Nos três pavimentos, a circulação está concentrada entre duas empenas de concreto aparente que evidenciam a materialidade e atmosfera da casa. Os níveis são articulados pela escada em madeira. No nível intermediário, a circulação ganha pé direito duplo e a empena de concreto ganha rasgos que deixam entrever o jardim. A sala pode ser completamente integrada ao jardim com a abertura total das esquadrias piso-teto.

As fachadas norte (tanto a principal quanto a fachada do bloco que abriga as suítes) são protegidas por brises verticais de madeira, que são a continuação dos caibros da estrutura aparente da cobertura. Os brise-soleils em conjunto com a jardineira e as esquadrias de vidro funcionam como filtros para a insolação e garantem privacidade.

APT ÁGUA

O projeto desta cobertura em Ipanema foi desenvolvido como uma casa suspensa, ao repensar o conceito e escala tradicionais de um apartamento. Debruçado sobre o mar e com vista ao morro Dois Irmãos, os clientes, colecionadores de arte, nos solicitaram que houvesse certa conexão visual a praia. A partir disso, os limites físicos das áreas sociais do apartamento foram diluídos através de esquadrias de alumínio e vidro, responsáveis pela integração do living com a ampla varanda, que recoberta em deck tom areia, áreas ajardinadas e vista ao azul do horizonte, traz a sensação de se estar na praia.

Em um eixo único, são dispostas as salas de estar e jantar, estar externo e espaço gourmet, escritório, e varanda. Para quebrar a rigidez da massa construída e permitir que estes espaços ganhassem o caráter de áreas de lazer, foram pensados num jogo de cheios e vazios, de maneira que a porção central (estar externo e área gourmet) é interrompida pelos panos de vidro e aberta para a varanda, recebendo cobertura de vidro.

Nos interiores, as superfícies dos espaços sociais são revestidas em materiais naturais, criando embasamento neutro às obras de arte da coleção particular dos clientes, que trazem cor e vivacidade. Destaca-se no estar a poltrona Gaivota de Ricardo Fasanello e bancos Magrini e Mocho de Sérgio Rodrigues. O estofado de alguns dos mobiliários é revestido com tecidos em cores especialmente selecionadas de algumas das telas, como as poltronas Circle de Hans Wegner, trazendo o despojamento de uma casa de praia. No jantar, a mesa é composta por dez cadeiras Anel de Fasanello.

Todas as paredes do escritório são revestidas por folhas de madeira e um painel de correr esconde a TV.

Os espaços cobertos recebem piso de madeira com o mesmo alinhamento do deck externo, separados pela grelha linear do ralo em acabamento escovado. Nas extremidades da varanda, o piso é rebaixado a alguns centímetros e recoberto em placas de pedra, transformados em espelhos d’água (que dá origem ao nome do apartamento). Na lateral direita, próxima ao escritório, são dispostas espreguiçadeiras, enquanto na porção oposta, uma área com mesa de café da manhã privativa à suíte master.

Junto ao lazer, o apartamento também é provido de sala de massagem, sauna, academia e piscina.

Na porção oeste, estão resguarda as áreas íntimas (quatro suítes, incluindo suíte máster com closet e banheiros individuais) e um segundo escritório. As nuances do mar e clima praiano também são conduzidas aos tecidos dos dormitórios.

Enquanto isso, como um véu a resguardar os ambientes da insolação direta e assegurar privacidade, a fachada norte é protegida por uma extensa treliça de madeira e áreas ajardinadas, com paisagismo assinado por Isabel Duprat, reforçando a ideia de casa.