CASA JCA

A Casa JCA é uma residência de veraneio na Bahia, que também seria utilizada com certa frequência durante as outras épocas do ano. Uma casa para se percorrer descalço, com uma organização espacial contemporânea sem perder a essência regional.

A casa é desenvolvida sobre um grande tablado de madeira cumaru elevado do solo. Sobre ele, dois volumes independentes recebem parte do programa: no bloco de menores dimensões estão localizados suíte master, cozinha, despensa e lavabo; o maior bloco abriga cinco suítes. Uma grande cobertura feita em duas águas e de projeção retangular unifica os volumes e cria novos espaços com grandes pés-direitos que dão lugar às salas de estar e jantar além das galerias de circulação. No subsolo estão locados demais ambientes de serviço e uma sala íntima com home theater. O grande deck em madeira conecta a casa à piscina e ao anexo de lazer e convivência localizado na outra extremidade do terreno.

A casa acontece em apenas um pavimento evitando maior interferência na paisagem. O grande tablado de madeira cumarú solta a casa do terreno, o que contribui para a diminuição dos efeitos da umidade. O projeto conta ainda com sistemas de ventilação cruzada devido à amplitude dos espaços e das aberturas.
Priorizamos a integração entre exterior e interior através de decisões projetuais tais como: continuidade do piso do exterior para o interior; permeabilidade dos fechamentos – elemento vazado ao estilo de um cobogó de madeira ao longo da fachada de toda galeria de circulação que tem a função de filtrar a iluminação solar ao mesmo tempo em que gera privacidade e permite a ventilação cruzada; esquadrias com venezianas nos quartos; planos de vidro garantindo transparência e possibilidades de aberturas totais na área comum; criação de jardins internos nos acessos às suítes.

Por outro lado, soluções contemporâneas evocam ambiências e imaginários regionais e tradicionais: o telhado em duas águas com telhas de barro em contraste com a arrojada estrutura de madeira; os volumes dos blocos independentes da cobertura e espaços livres resultantes conformam-se nas áreas comuns com relação direta com o exterior valorizando a espacialidade da varanda, ou com relação indireta como é o caso da galeria de circulação, protegida por uma parede de cobogó (nesse caso reinterpretado por meio de uma trama de madeira).

LOJA CELSO KAMURA

Neste projeto, originalmente de formas poligonais angulosas, sem conexão óbvia com os dois pavimentos, nosso desafio inicial foi estabelecer um acesso convidativo ao subsolo onde se desenvolveriam as principais atividades do salão. Desta forma a escada passou a ser um elemento arquitetônico importante e determinante dos outros espaços, buscando um paralelismo sutil, ela se dá generosa e ao se estreitar desperta a curiosidade. O ponto de fuga que gerou esse pensamento nos fez ir além, reforçando-o com um forro inclinado de réguas de madeira imprimindo um ritmo ao se percorrer o ambiente.

Na chegada, o brise em madeira e o banco em corian amarelo definem com personalidade o espaço e, logo ao fundo, as luminárias de cobre e as cadeiras de couro esquentam o espaço masculino.

Ao chegar ao subsolo vislumbramos todo o salão de um patamar intermediário, com uma nova dimensão do pé-direito duplo. Novamente nos sentimos convidados a descer por uma escada de pisos largos, quase uma arquibancada. Circundando o perímetro estão as bancadas de corte e ao centro uma grande árvore que, de forma lúdica, nos deixa aconchegados. Não podemos deixar de mencionar a contribuição da luz que simula claraboias naturais. Uma vez definido o conceito fomos buscar materiais simples como o piso monolítico de resina, a madeira e o vidro. Como contraponto, os mobiliários da recepção e da espera tiveram as linhas retas substituídas por curvas de formas orgânicas e com toque suave.

INSTITUTO MOREIRA SALLES

Finalista do Concurso de Arquitetura para a sede do Instituto Moreira Salles em São Paulo, SP.

CASA GCP

A madeira e o aço corten são os materiais principais dessa casa de fim de semana feita para um casal com dois filhos. A implantação da casa sofreu influência da geometria do terreno, com rotatória central e afastamentos obrigatórios. A solução foi criar dois volumes que se encaixavam de forma perpendicular.

Uma conjugação de duas estruturas – um pavilhão social todo em madeira com os brises-soleils, e outro íntimo com estrutura em concreto, fachada em madeira e suspenso 40cm do solo, para evitar a umidade e dar maior privacidade aos quartos. O limite do pavilhão social termina na varanda coberta com área de estar e área gourmet de frente para a piscina.

Os brises se tornaram um elemento marcante na casa. Nesse caso, o elemento estético é decorrência da função de proteger a fachada da insolação. Com estrutura de alumínio e painéis em cobre azinhavrado pivotantes, os brises servem para direcionar o olhar para a vista mais bonita do terreno. Outro elemento importante é o piso de granito que atravessa a casa e invade a piscina criando a unidade visual pretendida.

CASA GP

MAR – MUSEU DE ARTE DO RIO

Tivemos como desafio unir três construções existentes de características arquitetônicas distintas com o objetivo de abrigar o Museu de Arte do Rio, a Escola do Olhar, além de espaços para cultura e lazer. O Palacete Dom João, o prédio da Polícia e a antiga rodoviária do Rio, conectados, deverão fazer parte da grande intervenção na região central e antiga da cidade. Para cada construção analisamos diferentes níveis de tombamento e preservação.

O primeiro passo foi estabelecer um sistema de fluxo de modo que Museu e a Escola funcionem de forma integrada e eficiente. Assim, propomos a criação de uma praça suspensa na cobertura do prédio da Polícia, que reunirá todos os acessos, assim como abrigará o Bar e uma área para eventos culturais e de lazer.  Desta forma, a visitação será feita de cima para baixo.

Foi estabelecido que o Palacete, em função de seus grandes pés-direitos e da planta livre de estrutura, deverá abrigar as salas de exposição do Museu. O prédio da Policia será utilizado para a Escola do Olhar, auditório, salas de exposição multimídia e para as áreas de administração e funcionários do complexo. Os pilotis, hoje utilizados como acesso para a rodoviária, se transformarão em um grande foyer de todo o empreendimento, comportando também áreas de exposição de esculturas. O acesso controlado se dará entre as duas construções, caracterizando este vazio como espaço interno aberto e coberto. A marquise da Rodoviária, elemento tombado pelo patrimônio da Cidade, será utilizada para banheiros, loja e região de carga, descarga e depósitos. A Ligação e a circulação de visitantes entre os dois prédios, sob a forma de uma passarela suspensa pertencerá a esta nova construção, caracterizando a condição mais insólita possível.

Para o prédio da Policia, propomos a supressão do último pavimento para equilibrarmos a altura dos dois prédios e também a substituição das alvenarias de fechamento das fachadas por perfis de vidro translucido, tornando visível o sistema estrutural de colunas recuadas e revelando os pilotis, que hoje comporta diversas construções.

Finalmente, como marca do projeto, propomos que a cobertura da praça suspensa tenha uma forma abstrata e etérea. Uma estrutura fluida, extremamente leve, simulando a ondulação da superfície da água. Uma arquitetura de caráter poético e carregada de significado, simples e ao mesmo tempo moderna na questão de cálculo estrutural. Esse elemento será visto tanto de perto quanto de bem longe, tanto de baixo, para quem está chegando à Praça Mauá, quanto de cima, para quem está no Morro da Conceição.