Casa CLL

Pensada como lugar de encontro e descanso da família no interior paulista, o projeto da Casa CLL conforma-se a partir da topografia do contexto em que está inserida. Três platôs distribuem o programa arquitetônico ao longo do terreno em declive, organizando as áreas íntimas, sociais e de lazer. Unindo dois dos três níveis, a cobertura única define um pé-direito mais aconchegante para os quartos enquanto se abre generosa para as áreas sociais.

As transições entre os níveis acontecem de forma gradual e permeadas por elementos naturais que promovem uma fruição agradável e integram as áreas internas e externas. O primeiro desnível é atravessado por pátios ajardinados enquanto o segundo, se realiza no percorrer da própria piscina e do gramado.

Nas extremidades dos platôs, quatro blocos estruturais revestidos em pedra contêm as áreas molhadas e de serviço e ancoram o plano em madeira laminada colada que se estende sobre eles com amplos beirais, desenhando um percurso resguardado ao redor de toda a casa.

A presença do verde sobre a cobertura articula uma relação simbiótica entre os ambientes construído e natural, além de trazer diversos benefícios, como redução na absorção de calor, apreensão de gás carbônico e retenção de águas pluviais para posterior distribuição. Para manter uma visualização mais delgada desta estrutura, a área de contenção da vegetação foi recuada em relação ao perímetro externo. Aberturas zenitais garantem a entrada de luz natural enquanto painéis solares captam energia para utilização no aquecimento de água.

Uma seleção concisa de materiais possibilita uma leitura clara da arquitetura ao mesmo tempo que proporciona aconchego para os ambientes. As pedras branco-piracema revestem os blocos de apoio e o piso interno e compõem com os painéis de madeira carbonizada pigmentada em verde e com a madeira da cobertura e do forro.

A curadoria de mobiliários foi pensada para complementar a seleção de peças especiais garimpadas em antiquários pelos proprietários e que incluem designs de Jorge Zalszupin, Joaquim Tenreiro, Jacqueline Terpins, entre outros.

APT JDV

Inhotim

Casa MMO

Hotel em Maraú

Localizado entre a vila de Itacaré e a Península de Maraú a área de projeto situa-se numa faixa de aproximadamente 700m.  Essa extensa faixa de areia branca e mar deslumbrante é também presenteada pela foz do rio Guaibin que com seu contorno sinuoso e vegetação de mangue preservada determina um dos limites laterais do terreno. Nessa diversidade e riqueza natural a Bernardes buscou inspirações no resgate da raiz do lugar para projetar de forma atenta um lugar único, devolvendo para o solo a riqueza da mata Atlântica.

Na busca das referências e do menor impacto ambiental também pesquisamos materiais provenientes da recomposição da monocultura dos coqueirais, promovendo a biodiversidade e o corredor ecológico. O uso dos materiais provenientes como a palha do coco pode ser estudado como composição das paredes de barro palha presentes na cultura construtiva local. Assim como o coco as redes, a madeira nativa em forma de pranchas ou postes também servirão para compor toda a estética pretendida pela Bernardes na conceituação do Hotel.

A continuidade da paisagem existente, rio e vegetação são tomados como forte inspiração para a proposta. Imagina-se que os coqueirais (monocultura) serão substituídos por uma biodiversidade que resgate e realce a beleza única do lugar. Os eixos de implantação do projeto criam núcleos com microclima próprio de um grande jardim tropical. Envolto por lagos criados a semelhança dos belíssimos já existentes, as conexões são dadas pelos eixos visuais com ligação ao mar.

As estruturas pousam sobre o ecossistema reconstituído buscando o menor sinal de interferência possível no conjunto da paisagem, mas guardando a experiência estética e sinestésica que os usuários buscam no contato com a Natureza e todos seus elementos constituintes, como a identidade e cultura local.

EXPO OSAKA

O pavilhão apresenta a ideia de Brasil como potência ecológica. Nesse sentido, tem a premissa de conter um horizonte natural da Floresta Amazônica a partir do tema da agroflorestal desenvolvida pela colônia japonesa em Tomé-Açu, no interior do Pará. Este jardim interno irá reproduzir de modo imersivo a experiência de visitação da Floresta Amazônica, sua atmosfera de nuvens de umidade, sons e odores na representação possível deste valioso patrimônio brasileiro e mundial.

A arquitetura do pavilhão pode ser resumida a um perímetro retangular em estrutura de madeira laminada que abriga uma porção de agrofloresta. Na perspectiva externa principal, a ausência de um objeto construído, possibilitada pela inclinação da cobertura, apresenta o pavilhão de modo inusitado – apenas um baixo pórtico inicial da estrutura, assim como um Torii japonês, demarca o momento liminar de entrada na natureza interior. Após a entrada, a compressão espacial causada nos visitantes é rapidamente revertida em uma imersão no infinito horizonte natural da da floresta, visualmente construído a partir do revestimento dos planos laterais internos do pavilhão em telas tensionadas espelhadas.

Externamente, o pavilhão simboliza a proteção da floresta, contendo-a como herança finita e valiosa. Internamente, seu espaço se torna um território expandido como ode de retorno da humanidade à natureza, na potencialização de uma urgente cultura ecológica atrelada à sobrevivência de nossos biomas.

Desse modo, os projetos de arquitetura e expografia são ações indissociáveis na representação física do tema proposto. Almejando ser introdução ao ideal de uma sociedade que se entenda novamente como parte da natureza, o pavilhão se apresenta enquanto espaço a ser livremente vivenciado pelo público, suscitando momentos de pausa e reflexão sobre o porvir do Planeta Terra e sobre o importante papel do Brasil nesse futuro que se quer ecológico.