CASA EB

Construída em um bairro paulistano predominantemente residencial, esta casa tem seu programa distribuído em dois pavimentos e subsolo. O projeto foi organizado em torno de um pátio central abraçado pelo “L” da implantação, definido a partir da sobreposição de dois volumes trapezoidais.

No pavimento térreo estão dispostos os espaços de estar (sala de estar e jantar, área gourmet, sala de TV e escritório) e serviços (cozinha e copa). Demarcando a entrada da residência, uma pérgola de madeira laminada colada e coberta por vidro protege os moradores do sol e chuva.

Na parede principal do living foi desenvolvido um generoso painel que não toca o piso, com fechamento em vidro na área central, parecendo flutuar no espaço e responsável por acomodar as obras de arte. A superfície, assim como as demais paredes, é revestida em pedra, de modo que as telas assumem o protagonismo.

Integrando as áreas sociais, todos os espaços são unidos em um eixo contínuo com aberturas voltadas ao jardim. O escritório pode ser fechado a partir de um conjunto de painéis de correr. No mobiliário do estar, destaca-se clássicos do design brasileiro, como os bancos Pênsil, de Etel Carmona, e poltronas Cubo, de Jorge Zalszupin.

O projeto de paisagismo de Isabel Duprat cujo traçado contrapõe linhas orgânicas à rigidez da arquitetura, envolve as áreas livres com zonas de lazer e a piscina.

No primeiro pavimento estão as suítes, além de uma sala da família e área de serviço com acesso independente.

O embasamento bruto do piso inferior é contraposto na escolha dos materiais da fachada superior, de maneira que os brises de vidro translúcido sobre a face com vista para o jardim, são amparados por duas bandejas que também cumprem o papel de beiral. Detalhados pela Bernardes Arquitetura, estes funcionam ora como quebra-sol, ora como janelas dos dormitórios. Na fachada oposta e com frente para a rua, o beiral dá lugar a uma jardineira linear, trazendo o verde ao interior.

VILLAS FASANO

As Villas se destacam pela relação harmoniosa com a paisagem natural.

Enquanto o térreo e as áreas de lazer se integram completamente ao seu entorno, os espaços íntimos da casa estão resguardados em um pavilhão elevado, oferecendo uma perspectiva ampliada do horizonte.
A implantação em formato de cruz é definidora dos dois pavilhões que distribuem todo o programa da casa. No pavilhão inferior, o eixo que se estende em direção à praia é caracterizado pela solidez do concreto pigmentado e abriga os ambientes sociais e de serviço. No andar superior, a leveza dos brises em madeira garante a privacidade dos quartos ao mesmo tempo que promove a integração da construção na paisagem.

O sistema estrutural em MLC (Madeira Laminada Colada), além de garantir uma obra limpa e mais rápida, une uma solução moderna com um material comum a arquitetura local, a madeira.
Mobiliários e objetos de artistas locais compõem os ambientes junto a designs de Carlos Motta, José Zanine Caldas, o Ebanista e peças autorais especialmente desenhadas pelo escritório Bernardes Arquitetura para o projeto.

TORRE CIDADE JARDIM

Convidados para um concurso fechado ao desenvolvimento de um empreendimento de uso misto, promovido por uma incorporadora bastante conhecida na cidade de São Paulo e com quem já havíamos trabalhado anteriormente, esta ocasião representou uma grande oportunidade para a Bernardes Arquitetura.

Proposto para um lote no ponto de convergência de dois dos principais eixos de negócios de São Paulo, as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Luís Carlos Berrini e o bairro residencial Cidade Jardim, a Torre Cidade Jardim une espaços comercial, corporativo e residencial, distribuídos em 37 pavimentos que privilegiam o skyline da cidade.

A posição intermediária da torre entre os arranha-céus e blocos habitacionais exigia uma tipologia de transição que mesclava as escalas monumentais e de baixo gabarito de seus arredores em um único edifício. Aproveitando a situação urbana privilegiada, uma praça pública é criada na borda mais curta do lote, dando acesso à entrada principal do centro de negócios e conectando as ruas adjacentes ao local.

Um dos questionamentos da equipe da Bernardes Arquitetura era como introduzir a torre de 115 metros de altura de maneira silenciosa sobre a paisagem e, sobretudo, no eixo urbano que ainda passa por transformações. Com isso em mente, optou-se por fragmentar os diferentes programas em quatro volumes sobrepostos, de maneira que cada massa em seção trapezoidal e vértices arredondados é moldada com dimensões inferiores à medida que é elevada, como um efeito cascata que torna a transição fluída. Entre cada uma, áreas de uso comum são criadas a partir do recuo da caixilharia, que dão origem a um grande beiral e terraço.

Nas aberturas de todo o edifício, molduras inclinadas criam ritmo e maior profundidade a fachada, com acabamento em mármore nos primeiros pavimentos e zinco nos demais. Seus ângulos maximizam a proteção solar direta enquanto direcionam as vistas.

Na base maciça estão os espaços comerciais – uma agência bancária no pavimento térreo de pé direito duplo e com mezanino, e no terraço com acesso independente, um restaurante e bar. Entre cada uma das seções superiores são criados espaços compartilhados cujos programas variam de acordo com seu acesso público. Do terceiro ao sexto piso, de planta livre com núcleo de circulação vertical central, são destinados a escritórios.

Com área recuada e considerável beiral em balanço que propicia área sombreada durante o dia, além de floreiras perimetrais, o sétimo pavimento localiza área de estar de uso comum aos moradores dos lofts do oitavo ao décimo nono pavimento. No vigésimo piso, outro terraço de dimensão inferior e com vista desobstruída acima dos edifícios adjacentes concentra uma área de estar aos moradores dos apartamentos do vigésimo primeiro ao trigésimo sétimo pavimento.

CASA JSL

Implantada em um condomínio residencial em Paraty, no Rio de Janeiro, a poucos metros de distância da praia, a Casa JSL foi pensada a partir da ideia de conexão – visual, privilegiando a vista ao mar; e dos espaços de estar e lazer.

Ao chegar pela rua, o visitante depara-se com o volume em aço cuidadosamente disposto sobre o paisagismo com espécies tropicais. Na lateral esquerda, um pergolado triangular, engenhosamente criado a partir da extensão das vigas de aço resguarda a garagem entre o jardim.

Entrando na residência, uma área rebaixada com altura tradicional de um pé direito é posteriormente superada pelo pé direito duplo, a partir da malha estrutural em aço.

No perímetro de toda a residência, extensores metálicos são presos diretamente sobre as vigas, onde brises fixos do mesmo material são instalados, perpendiculares na face dos dormitórios e área gourmet. Estes recebem pintura cinza grafite, seguindo o mesmo acabamento do esqueleto metálico e caixilhos. Essa solução, por sua vez, viabiliza o conforto térmico a partir do sombreamento da área social, que somado a generosa abertura da caixilharia, contribui para ventilação natural abundante.

O living recebe ripas de madeira sobre as paredes que também recobrem o forro da área rebaixada do hall e sala de jantar, trazendo conforto. No mesmo padrão, portas de acesso à sala de TV e áreas de serviço são mimetizadas. No pé direito duplo da sala de estar, um grande vidro fixo junto ao brise de malha quadriculada permite ver a vegetação, protegendo da exposição ao sol, como um véu.

No mobiliário e acessórios, texturas tipicamente praianas são reimaginadas numa visão contemporânea. Sofá e poltronas recebem acabamento em linho, enquanto o tapete é de sisal. Ao fundo da sala de jantar, um biombo em corda de marinheiro.

Hall de entrada, salas de estar e de jantar transformam-se em varandas quando suas esquadrias estão abertas para a área gourmet e piscina. Integrando os espaços, os mesmos materiais do interior são utilizados no piso externo e parede da churrasqueira. Na cobertura, um toldo com abertura eletrônica pode ser aberto ou fechado.

Ao centro do living, a escada metálica conecta o térreo as áreas privadas. Acima do hall, o home office permite certa permeabilidade visual direta à praia a partir de aletas metálicas brancas. Já nos dormitórios, esquadrias de correr de piso a teto podem ser completamente abertas, que junto ao guarda-corpo de vidro incolor e brises, trazem a brisa e o azul do horizonte ao interior. A roupa de cama segue um padrão de cores e texturas praianas, como o azul marinho, ocre e padrão listrado náutico, e a cabeceira recebe a mesma madeira utilizada no pavimento térreo.

CASA FG

A Casa FG foi projetada em um condomínio a cerca de uma hora e meia da capital paulistana para um casal e seus filhos e surge da fragmentação do programa através de quatro volumes trapezoidais de concreto pigmentado, dispostos num harmonioso arranjo sobre o terreno de 12.152 metros quadrados e unidos por um mesmo eixo linear.

A articulação entre os diferentes blocos setoriza o programa da residência de forma que os três volumes frontais resguardam as áreas social e íntima, enquanto o volume da porção traseira concentra os espaços de serviço.

Tirando proveito da inclinação do perfil natural do terreno na porção norte, no bloco inferior localizamos a sala de TV e sauna, que encaixa o programa e assim o disfarça sem que a percepção de casa térrea seja perdida. Recuado em relação ao pavimento superior, recebe fechamentos em panos de vidro de piso a teto, que sombreado, parece desaparecer, criando a sensação de o volume principal flutuar. O restante do programa fica na cota mais alta.

No exterior, degraus gramados conduzem o acesso ao nível superior, e nas extremidades, o paisagismo assinado em parceria com Paisagismo d’ Orey Brasil recebe arbustos de philodendron. Já no nível principal, o deck e piscina com borda infinita tem acabamento em basalto. Como ombrelones naturais, duas árvores geram sombra para as espreguiçadeiras.

Nesta residência, os limites visuais e físicos entre interior e exterior são diluídos através de estratégias projetuais de integração. O mesmo material do deck (basalto) e forro da varanda (modular de madeira ripada) são utilizados no living e salas de estar, de jantar e área gourmet transformam-se em varanda quando suas esquadrias estão totalmente abertas para a piscina e jardim.

No bloco social, do ponto de vista material, a paleta em tons naturais traz conforto e bem-estar, onde se destaca as empenas de concreto pigmentado em tom avermelhado, madeira no forro e painéis, e placas de basalto no piso e volume da lareira.

No mobiliário, prevalece a mistura de peças (existentes da família, novas de designers brasileiros, peças mineiras, e de madeira maciça), buscando a simplicidade despojada de uma casa de campo. Os tecidos das poltronas e tapetes seguem uma paleta de cores em harmonia com as superfícies da arquitetura. Vale destacar que parte do mobiliário é integrado a arquitetura, como a lareira (em basalto e pedra sabão) e aparador da sala de jantar (em mármore).

A área gourmet serve de anteparo à sala de jantar e piscina, podendo ser integrada individualmente a cada um dos espaços. Os painéis de madeira de correr permitem ser abertos à sala de jantar, ou completamente fechados e abrindo a caixilharia de vidro ao exterior. Para assegurar ventilação e iluminação natural, elementos vazados de concreto foram utilizados como fechamento na empena lateral.

Na lateral direita do volume social, atrás do estar, posicionamos o acesso a uma pequena sala de TV privativa e suíte master. Do lado oposto, uma escada de acesso ao nível inferior é banhada por iluminação zenital. No dormitório, sobre a bancada de trabalho, um rasgo linear na empena de concreto pontua visada estratégica ao jardim.

Com desenho especial pela Bernardes Arquitetura, oito brises verticais de madeira posicionados transversalmente na varanda dos quartos sombreiam o interior ao mesmo tempo em que direciona a vista ao horizonte. Presos a estrutura destes, bancos revestidos com a mesma madeira e apoiados sobre um único pilarete fazem o papel de guarda-corpo.

No segundo bloco, a sudoeste, está a cozinha, lavanderia e três suítes de serviço. Na ala íntima, estão oito suítes, sendo duas delas suítes extras, além de duas salas íntimas, posicionados nos dois blocos da porção sudeste.

Nesta residência, a linearidade do corredor transforma-se em uma galeria que atravessa a sucessão de volumes, com um conjunto de rasgos estrategicamente dispostos, ora nos planos verticais (paredes), ora horizontal (laje), e que emolduram a vista externa. Em contrapartida, permitem que a luz preencha o espaço, num jogo de claros e escuros.

MUSEU POWERHOUSE PARRAMATTA

A Bernardes Arquitetura participou do concurso internacional para o novo Museu de Artes Aplicadas e Ciências de Sydney, Austrália, junto com os escritórios Scale Architecture, Agência TPBA e Burle Marx. Nossa equipe foi uma das seis finalistas, tendo competido com grandes escritórios do mundo todo.

O novo Museu surge de um grande gesto urbano. Ao colocar seus maiores espaços de exposição no térreo, em volumes separados, o museu cria um espaço público icônico no coração do quarteirão. O edifício possui um balanço de 22 metros que chega ao rio Parramatta e cria um telhado em escala urbana com 28 metros de altura, criando um grande espaço público coberto.

Este vazio cívico ao ar livre é capaz de sediar eventos de grande escala, transformando o Powerhouse Parramatta em uma grande praça pública. Suas bordas são definidas por elementos de construção em escala humana refinados e agregam vibração e vida ao gesto urbano. Os degraus à beira do rio conectam esse espaço ao rio, gerando um lugar natural para se sentar e se reunir.

A fachada permeável compreende um sistema de persianas verticais, delicadamente padronizadas e com tons variados, proporcionando uma pele expressiva, legível tanto da escala urbana quanto da arquitetônica. Operando com um sistema de ventilação mista, a fachada permite que as rotas de circulação possuam ventilação natural.