CASA MLC

RESIDENCIAL CANTO DA LAGOA

Em nossa proposta para este empreendimento residencial em Florianópolis, Santa Catarina, buscamos preservar a paisagem original do amplo terreno defronte a lagoa, minimizando o impacto na topografia, na vegetação e no visual do entorno. Para tanto, tendo a natureza como protagonista, o espaço foi pensado com escalas de caráter coletivo, ao mesmo tempo em que considera a privacidade individual de cada unidade e a maior integração possível com o verde e a água.

Indo na contramão dos tradicionais condomínios de apartamentos com torres multifachadas, tivemos como premissa a idealização de uma vila vertical, como casas suspensas abraçadas pela vegetação. Nesse sentido, asseguramos que cada célula habitacional tivesse a sua vista em direção a lagoa e que todos os apartamentos contassem com terraços de acesso à área verde – alguns um grande quintal – tanto no nível do térreo como nos pavimentos superiores.

Neste empreendimento de 13.192 metros quadrados de área construída, optamos por empregar materiais que tivessem o significado intimamente ligado à sua função na edificação, posicionamento em que irá residir, e ao papel que desempenhará. Para tanto, os volumes do embasamento são em pedra, que trabalha como um alicerce para que os blocos das unidades acima, revestidos por sua vez com uma pele modular cimentícia, tragam horizontalidade e leveza para o conjunto. A definição desses materiais, envoltos pelo cintamento em concreto aparente das vigas e bordas dos terraços, delineiam a transição entre o bruto e o arrojado, da base ao topo. A madeira aplicada na fachada através dos brises vem como um elemento que aquece e ao mesmo tempo traz a referência da natureza presente em seu entorno.

Tendo a vista como protagonista, trabalhamos com geometrias puras da arquitetura em meio às formas orgânicas da natureza, que apesar de soar contrastante, destaca o verde, emoldurando-a. Planos horizontais das delgadas coberturas nos topos dos blocos e o contraste dos cheios e vazios nas fachadas, proporcionados pelos volumes dos terraços cobertos e painéis envidraçados, reforçam a horizontalidade da obra, como se a arquitetura recompusesse a topografia original do terreno.

A cadência das modulações e ripados na fachada trazem uma escala mais palatável da arquitetura ao residente, juntamente à proporção dos blocos e pés-direitos nos acessos.  Não se buscou a monumentalidade, mas sim uma implantação “silenciosa” em meio a deslumbrante panorâmica.

O grande elo de conexão entre os volumes e os espaços criados se dá através da costura que o projeto paisagístico desenvolvido em parceria com JA8 Paisagismo, exerce entre a arquitetura e a paisagem. Desta forma a integração entre a edificação e o entorno se dão como um resultado natural, sem rupturas, mas sim como uma boa conversa.

CASA EB

Construída em um bairro paulistano predominantemente residencial, esta casa tem seu programa distribuído em dois pavimentos e subsolo. O projeto foi organizado em torno de um pátio central abraçado pelo “L” da implantação, definido a partir da sobreposição de dois volumes trapezoidais.

No pavimento térreo estão dispostos os espaços de estar (sala de estar e jantar, área gourmet, sala de TV e escritório) e serviços (cozinha e copa). Demarcando a entrada da residência, uma pérgola de madeira laminada colada e coberta por vidro protege os moradores do sol e chuva.

Na parede principal do living foi desenvolvido um generoso painel que não toca o piso, com fechamento em vidro na área central, parecendo flutuar no espaço e responsável por acomodar as obras de arte. A superfície, assim como as demais paredes, é revestida em pedra, de modo que as telas assumem o protagonismo.

Integrando as áreas sociais, todos os espaços são unidos em um eixo contínuo com aberturas voltadas ao jardim. O escritório pode ser fechado a partir de um conjunto de painéis de correr. No mobiliário do estar, destaca-se clássicos do design brasileiro, como os bancos Pênsil, de Etel Carmona, e poltronas Cubo, de Jorge Zalszupin.

O projeto de paisagismo de Isabel Duprat cujo traçado contrapõe linhas orgânicas à rigidez da arquitetura, envolve as áreas livres com zonas de lazer e a piscina.

No primeiro pavimento estão as suítes, além de uma sala da família e área de serviço com acesso independente.

O embasamento bruto do piso inferior é contraposto na escolha dos materiais da fachada superior, de maneira que os brises de vidro translúcido sobre a face com vista para o jardim, são amparados por duas bandejas que também cumprem o papel de beiral. Detalhados pela Bernardes Arquitetura, estes funcionam ora como quebra-sol, ora como janelas dos dormitórios. Na fachada oposta e com frente para a rua, o beiral dá lugar a uma jardineira linear, trazendo o verde ao interior.

VILLAS FASANO

As Villas se destacam pela relação harmoniosa com a paisagem natural.

Enquanto o térreo e as áreas de lazer se integram completamente ao seu entorno, os espaços íntimos da casa estão resguardados em um pavilhão elevado, oferecendo uma perspectiva ampliada do horizonte.
A implantação em formato de cruz é definidora dos dois pavilhões que distribuem todo o programa da casa. No pavilhão inferior, o eixo que se estende em direção à praia é caracterizado pela solidez do concreto pigmentado e abriga os ambientes sociais e de serviço. No andar superior, a leveza dos brises em madeira garante a privacidade dos quartos ao mesmo tempo que promove a integração da construção na paisagem.

O sistema estrutural em MLC (Madeira Laminada Colada), além de garantir uma obra limpa e mais rápida, une uma solução moderna com um material comum a arquitetura local, a madeira.
Mobiliários e objetos de artistas locais compõem os ambientes junto a designs de Carlos Motta, José Zanine Caldas, o Ebanista e peças autorais especialmente desenhadas pelo escritório Bernardes Arquitetura para o projeto.

TORRE CIDADE JARDIM

Convidados para um concurso fechado ao desenvolvimento de um empreendimento de uso misto, promovido por uma incorporadora bastante conhecida na cidade de São Paulo e com quem já havíamos trabalhado anteriormente, esta ocasião representou uma grande oportunidade para a Bernardes Arquitetura.

Proposto para um lote no ponto de convergência de dois dos principais eixos de negócios de São Paulo, as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Luís Carlos Berrini e o bairro residencial Cidade Jardim, a Torre Cidade Jardim une espaços comercial, corporativo e residencial, distribuídos em 37 pavimentos que privilegiam o skyline da cidade.

A posição intermediária da torre entre os arranha-céus e blocos habitacionais exigia uma tipologia de transição que mesclava as escalas monumentais e de baixo gabarito de seus arredores em um único edifício. Aproveitando a situação urbana privilegiada, uma praça pública é criada na borda mais curta do lote, dando acesso à entrada principal do centro de negócios e conectando as ruas adjacentes ao local.

Um dos questionamentos da equipe da Bernardes Arquitetura era como introduzir a torre de 115 metros de altura de maneira silenciosa sobre a paisagem e, sobretudo, no eixo urbano que ainda passa por transformações. Com isso em mente, optou-se por fragmentar os diferentes programas em quatro volumes sobrepostos, de maneira que cada massa em seção trapezoidal e vértices arredondados é moldada com dimensões inferiores à medida que é elevada, como um efeito cascata que torna a transição fluída. Entre cada uma, áreas de uso comum são criadas a partir do recuo da caixilharia, que dão origem a um grande beiral e terraço.

Nas aberturas de todo o edifício, molduras inclinadas criam ritmo e maior profundidade a fachada, com acabamento em mármore nos primeiros pavimentos e zinco nos demais. Seus ângulos maximizam a proteção solar direta enquanto direcionam as vistas.

Na base maciça estão os espaços comerciais – uma agência bancária no pavimento térreo de pé direito duplo e com mezanino, e no terraço com acesso independente, um restaurante e bar. Entre cada uma das seções superiores são criados espaços compartilhados cujos programas variam de acordo com seu acesso público. Do terceiro ao sexto piso, de planta livre com núcleo de circulação vertical central, são destinados a escritórios.

Com área recuada e considerável beiral em balanço que propicia área sombreada durante o dia, além de floreiras perimetrais, o sétimo pavimento localiza área de estar de uso comum aos moradores dos lofts do oitavo ao décimo nono pavimento. No vigésimo piso, outro terraço de dimensão inferior e com vista desobstruída acima dos edifícios adjacentes concentra uma área de estar aos moradores dos apartamentos do vigésimo primeiro ao trigésimo sétimo pavimento.

CASA JSL

Implantada em um condomínio residencial em Paraty, no Rio de Janeiro, a poucos metros de distância da praia, a Casa JSL foi pensada a partir da ideia de conexão – visual, privilegiando a vista ao mar; e dos espaços de estar e lazer.

Ao chegar pela rua, o visitante depara-se com o volume em aço cuidadosamente disposto sobre o paisagismo com espécies tropicais. Na lateral esquerda, um pergolado triangular, engenhosamente criado a partir da extensão das vigas de aço resguarda a garagem entre o jardim.

Entrando na residência, uma área rebaixada com altura tradicional de um pé direito é posteriormente superada pelo pé direito duplo, a partir da malha estrutural em aço.

No perímetro de toda a residência, extensores metálicos são presos diretamente sobre as vigas, onde brises fixos do mesmo material são instalados, perpendiculares na face dos dormitórios e área gourmet. Estes recebem pintura cinza grafite, seguindo o mesmo acabamento do esqueleto metálico e caixilhos. Essa solução, por sua vez, viabiliza o conforto térmico a partir do sombreamento da área social, que somado a generosa abertura da caixilharia, contribui para ventilação natural abundante.

O living recebe ripas de madeira sobre as paredes que também recobrem o forro da área rebaixada do hall e sala de jantar, trazendo conforto. No mesmo padrão, portas de acesso à sala de TV e áreas de serviço são mimetizadas. No pé direito duplo da sala de estar, um grande vidro fixo junto ao brise de malha quadriculada permite ver a vegetação, protegendo da exposição ao sol, como um véu.

No mobiliário e acessórios, texturas tipicamente praianas são reimaginadas numa visão contemporânea. Sofá e poltronas recebem acabamento em linho, enquanto o tapete é de sisal. Ao fundo da sala de jantar, um biombo em corda de marinheiro.

Hall de entrada, salas de estar e de jantar transformam-se em varandas quando suas esquadrias estão abertas para a área gourmet e piscina. Integrando os espaços, os mesmos materiais do interior são utilizados no piso externo e parede da churrasqueira. Na cobertura, um toldo com abertura eletrônica pode ser aberto ou fechado.

Ao centro do living, a escada metálica conecta o térreo as áreas privadas. Acima do hall, o home office permite certa permeabilidade visual direta à praia a partir de aletas metálicas brancas. Já nos dormitórios, esquadrias de correr de piso a teto podem ser completamente abertas, que junto ao guarda-corpo de vidro incolor e brises, trazem a brisa e o azul do horizonte ao interior. A roupa de cama segue um padrão de cores e texturas praianas, como o azul marinho, ocre e padrão listrado náutico, e a cabeceira recebe a mesma madeira utilizada no pavimento térreo.