CASA 12 X 12

É o projeto de um volume habitável compacto situado em lote com o entorno cercado por prédios, em rua estreita. Foi necessário pensar numa gradual transição do ambiente urbano para o espaço residencial interno. A fachada frontal se apresenta como o elemento que articula essas ambiências através da sucessão de camadas que conformam uma paisagem em movimento.
No nível térreo, um brise de madeira cumaru protege o acesso principal, as suítes localizadas nesse pavimento e o pátio do subsolo, onde ficam os espaços destinados ao serviço.
No segundo e terceiro pavimentos, jardineiras alinhadas exibem paisagismo com densa vegetação em toda a extensão da fachada. E, à frente dessa cortina verde, persianas horizontais articuladas e presas em chapas metálicas que revestem as lajes, criam filtros de proteção ao sol da manhã e permitem, quando desejado, serem recolhidas para criar um generoso diálogo interior/exterior.

GURUMÊ SÃO CONRADO

Esta é a primeira loja do restaurante Gurumê, especializado na culinária japonesa. O nome é uma variação despojada da palavra “gourmet” e sugere um ambiente de sofisticação e simplicidade. O projeto busca traduzir o conceito do empreendimento.

A junção de dois salões contíguos deu origem a três espaços com atmosferas distintas: o salão principal, um espaço intimista e o tradicional sushi bar. O salão de maiores dimensões possui uma mesa coletiva com desenho sinuoso que estimula a interação entre as pessoas. Já o segundo ambiente, um túnel de madeira, tem caráter intimista, com mesas de dois ou quatro lugares, onde o cliente vislumbra o exterior pelo rasgo da fachada. O túnel é estruturado através de uma sucessão de pórticos que definem sua geometria que é revestida por ripas de madeira cumaru. Ao fundo está localizado o sushi bar, com bancada em corian, de onde se pode observar a preparação dos pratos.

Os principais materiais de revestimento – o cobre oxidado e a madeira – foram escolhidos devido à inspiração no universo da pesca e na ação do tempo nos materiais utilizados em barcos e navios. Os ladrilhos hidráulicos utilizados no piso são feitos artesanalmente e garantem a neutralidade necessária para que os tons de madeira e os tons esverdeados do cobre sejam destacados.

CASA DELTA

Essa casa de fim de semana foi projetada para um casal e seus três filhos jovens em um terreno com acentuado declive situado numa reserva de Mata Atlântica. O programa foi distribuído em níveis que se adaptam ao terreno e conformam um percurso interno que tem como ponto de partida a praça de acesso e como destino o terraço, de onde se avista o mar.
O projeto apresenta uma setorização clara: o grande volume do primeiro pavimento, envelopado em madeira, abriga as suítes dos filhos e hóspedes; o terraço abriga a suíte máster e áreas de convívio. Essa organização espacial flexibiliza o uso da residência, já que o terraço foi pensado como um pavilhão autônomo preparado para receber o casal, de modo que é possível manter fechado todo o primeiro pavimento no caso de uma viagem a dois.
Há o desejo de conferir certa ambiguidade aos espaços, diluindo os limites entre o “dentro” e o “fora”. No térreo, o amplo hall de entrada permite que o paisagismo invada a escada como um gesto que põe em questão as fronteiras entre interior e exterior. No terraço, a abertura dos grandes planos de vidro proporciona total integração com a área externa de onde se vê o mar e as copas das árvores. Assim, é possível ampliar a experiência de habitar, utilizando tanto estratégias que protegem o abrigo construído, quanto as que tornam possível que o morador usufrua a vivência integrada à natureza existente.

Assista ao vídeo produzido pelo portal Galeria da Arquitetura.

CAPELA JOÁ

O desejo de “síntese” norteou a concepção do projeto, que nasce da vontade de permitir ao visitante alcançar um espaço antes inacessível. Em meio às copas das árvores, a experiência de contato com a natureza é intensificada. A espacialidade da Capela surge da articulação entre os elementos estruturais da plataforma que se projeta em direção ao mar.
O deque triangular é estruturado por vigas metálicas apoiadas no nível de acesso e no pilar que nasce no nível mais baixo do terreno. Sobre essa estrutura apoiam-se pórticos de madeira laminada que crescem em altura na medida em que a planta triangular avança. Do interior da Capela, é possível perceber a floresta nos intervalos da sequência ritmada de pórticos. Panos de vidro revestem a estrutura de madeira protegendo-a dos efeitos climáticos ao mesmo tempo em que refletem as árvores. O pilar metálico que sustenta um dos vértices da plataforma transforma-se na cruz que surge emoldurada junto à paisagem.
O processo sistematizado de montagem das peças estruturais possibilitou o cumprimento do curto prazo estipulado pelo cliente.
A Capela Joá é um templo cuja simplicidade perpassa sua materialidade e soluções construtivas. A síntese é alcançada na medida em que os elementos estruturais adquirem, sob outra ótica, funções plásticas e simbólicas.

APT DOIS IRMÃOS

Nessa cobertura em Ipanema, debruçada sobre o mar, o partido desejado foi o de proporcionar um horizonte total de onde se pudesse avistar a pedra do Arpoador, o Morro Dois Irmãos e a Lagoa Rodrigo de Freitas. As paredes foram substituídas por largos e modulares panos de vidro, nas duas frentes de rua que o edifício ocupa no quarteirão, que transformam o ambiente numa generosa varanda que integra o interior da residência à beleza da natureza do entorno.

A paisagem que invade a sala de estar/varanda é valorizada pelos revestimentos cuidadosamente escolhidos. O piso único em granito bruto, tom de areia, os tecidos em tons neutros e as obras de arte, compõem esse espaço projetado para atender a um pai e seu filho pré-adolescente. Apenas a área íntima do apartamento que corresponde às suítes de ambos, cozinha e dependências ficam protegidas por painéis de madeira que escondem todas as portas formando um módulo de 8×24 metros.

A varanda que integra o interior ao exterior pode ser protegida do sol através de persianas metálicas e um toldo retrátil, sem perder a permeabilidade dos ambientes. Voltada para o poente, a piscina com uma raia de 25 metros possui quatro deques deslizantes que se movem de um lado a outro, permitindo a ampliação das salas e promovendo uma continuidade visual, enquanto o jardim vertical acompanha a piscina unindo os ambientes íntimo e social.

APT JARDINS

O Apartamento Jardins, localizado no bairro de mesmo nome, e com 750 metros quadrados, foi desenvolvido de maneira muito próxima aos clientes – colecionadores de arte –, especialmente para acomodar o acervo pessoal, mas com o tom cosmopolita da cidade e indo na contramão dos espaços assépticos de uma galeria de arte.

Para acomodar as peças de arte com certo intimismo e sobriedade, o projeto recebeu piso de madeira de demolição em canela preta e paredes em painéis modular revestidos em linho off white, que ora mimetiza as portas de acesso aos diferentes espaços, ora os sistemas de áudio e dispositivos da automação. O tecido foi escolhido após uma ampla pesquisa da equipe de interiores para que a trama não comprometesse a qualidade de propagação acústica.

Superando o hall de entrada, uma instalação do escultor brasileiro Tunga, presa sobre o forro, recepciona os moradores e visitantes, com um vazio adjacente, permitindo que seja apreciada pelo espectador sem interferências visuais. No painel lateral da porta de entrada, uma pintura de Basquiat. Ao fundo, uma escultura de grandes dimensões do artista visual Henrique Oliveira conduz ao estar.

Na sala de estar, integrada aos demais espaços do living, se destaca 12 painéis da artista Adriana Varejão acima do sofá. O mobiliário foi escolhido junto aos clientes com uma curadoria de peças de design dinamarquês das décadas de 1930 e 1960 garimpadas em antiquários de Nova York. Em harmonia, outras contemporâneas, a exemplo da mesa de centro em madeira bruta do designer brasileiro Hugo França, e peças desenhadas pela equipe da Bernardes Arquitetura. A cor aparece na tapeçaria e obras de arte, protagonistas do espaço.

Home theater e escritório também são integrados no espaço, e a sala de jantar recebe duas mesas especialmente desenhadas pela Bernardes, cujas estruturas de apoio contêm pequenas bibliotecas, e podem ser unidas. No escritório, destaque para a escultura reflexiva do artista plástico indo-britânico Anish Kapoor sobre a parede e outra de vidro disposta sobre o piso, do brasileiro Nuno Ramos.

Armários e paredes com acabamento em chapas de inox escovado conferem certa austeridade a cozinha. Ao centro, uma bancada com assentos acoplados ganha destaque.

O apartamento ainda é provido de um corredor de 17 metros com acesso aos demais espaços (academia e suíte master) que faz ás vezes de galeria. Também foi criada uma sala especial usada como acervo à parte da coleção dos clientes. Vale destacar que um sistema de trilhos eletrificados e spots direcionáveis com lâmpadas especiais foram instalados por todo o apartamento, de maneira que a iluminação não danifique as obras e caso sejam trocadas, o projeto luminotécnico possa ser adaptado com facilidade, como em um museu.